VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual
"Djalioh" novo filme de Ricardo Miranda na Mostra Internacional
Ricardo Miranda exibe seu filme Djalioh (2011/ Brasil) na Mostra Internacional de Filmes no CineFuturo. O longa-metragem é uma leitura do conto "Quidquid Volueris - estudos psicológicos", do escritor francês Gustave Flaubert Em entrevista, o cineasta fala sobre a construção do filme e de seus outros projetos.
CineFuturo: Como foi utilizar a linguagem literária de Gustave Flaubert e adaptá-la à linguagem audiovisual e moderna?
Ricardo Miranda: O que eu trabalhei, na verdade, é uma historia contada. Não é uma adaptação, nesse sentido. Há uma transposição do texto do Flaubert para a forma cinema. O texto é de Flaubert. Em relação à adaptação, podemos pensar, em termos visuais, em uma liberdade com o imaginário do que seria aquela história na França em 1837, época que o autor escreveu o conto quando tinha 16 anos de idade.Esse é um dos contos da juventude de Flaubert. Esse imaginário passa pelo Brasil porque o conto, pelo menos o grande acontecimento da história, refere-se ao Brasil originalmente. O que trabalhei foi uma idéia primeira de não-transposição total. O Flaubert tá preservado, palavra por palavra. Mas, a partir dessa palavra por palavra, eu construi uma ideia de imagem.
CF: Além dos filmes, de linguagem experimental, quais são os seus outros projetos?
RM: Meu trabalho se divide em duas vertentes. Um é extremamente experimental, em se tratando da imagem. Esse filme, especificamente, possui as questões relacionadas à representação, à atuação, do ator como veículo da representação do texto.Tenho um trabalho experimental chamado "Mojica", com o José Mojica Morins que, além de ser um diretor do cinema, ele encarna uma criatura que é Zé do caixão. Em paralelo tenho um trabalho com documentário, quase todos sobre pessoas e pensadores brasileiros e outros que diferem totalmente dessa minha face mais experimental da ficção.
CF: Fale mais sobre esses documentários. Como seria a dinâmica de construção e quem são retratados?
RM: São documentários onde eu quero trabalhar o homem e a obra. Então, tem Gilberto Freire, Câmera Cascudo, cineastas como Paulo Sérgio Saraceni e Luís Rosenberg Filho. Tem também sobre artistas plásticos. Mas sempre estou voltado a um cinema de invenção. Mesmo nos documentários, que são objetivamente documentais, construo a partir de uma dramartugia de animação, tentando romper a caretisse do cinema brasileiro atual.
CF: Qual a sua visão a respeito da concepção do CineFuturo que, além de ser um seminário que permite a exibição de filmes, traz espaços de discussões e construção do "fazer cinema"?
RM: Eu acho fantástico. Esse trabalho que o Walter Lima faz com a implantação do documentário e discussões sobre o cinema em Salvador é muito interessante . O ano passado, estive em outra situação, em uma mesa que tinha discussão terórica em torno de montagem, onde passei trabalhos meus como montador. Acho que é fundamental o que o Walter faz.
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