VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual
Ivana Bentes fala sobre a curadoria das Mesas Redondas
Ivana Bentes é diretora da Escola de Comunicação da UFRJ e pesquisadora do campo do audiovisual, cinema, cultura digital, tecnologias da comunicação. Este ano, ela foi também responsável pela curadoria e mediação de todas as Mesas Redondas do Cine Futuro, bem como a escolha dos convidados. Em entrevista ela fala sobre os critério utilizados para a eleição dos temas e faz uma avaliação da participação do público do VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual.
Cine Futuro: Qual foi o critério utilizado para escolha dos temas das Mesas Redondas?
Ivana Bentes: Nós discutimos muito os temas, não queríamos tratar de uma tema só, mas trazer uma espécie de panorama de discussões importantes em torno dos campos do audioovisual e do cinema. Foi assim que surgiu os temas "Arte Contemporânea", "Cinema Transcendental", o debate do cinema político e a questão das estéticas da periferias, que é um debate quente no mundo inteiro, a relação da etética, estéticas e periferias.
O tema mais diferente de todos é o "Cinema Transcendental", que depois eu rebatizei de "Cinema dos extremos", pra falar da radicalidade. Existe ainda hoje ma radicalidade na produção audiovisual? Existem cineastas de extremo com uma estética diferenciada, enfim, de reencatamento do mundo onde o cinema ainda é o centro, a crença desses cineastas?
No caso dessa mesa, escohemos dois teóricos franceses, Charles Tesson e o Antoine de Baecque vão tratar do tema sobre duas perspectivas diferentes. O Tesson vai nos apresentar a produção do cineasta Ritwik Ghatak e o Anotine De Baecque falará sobre a cinefilia, que também é uma experiência, não em desaparição eu dira, mas em transformação.
CF: E qual o critério utilizado para a escolha dos convidados das Mesas, como Antoine De Baecque e o Charles Tesson?
IB: Para cada mesa nós escolhemos não simplesmente teóricos, mas teóricos, cineastas, por exemplo na mesa da arte contemporânea, que trouxemos o François Bonenfant, que é um educador, trabalha com formação em um estudo de arte contemporâno experimental importantíssimo no mundo todo. Ele trouxe a produção desse estudo, inclusive de um brasileiro, e o Arthur Omar que tem uma experiência radical em arte contemporânea multímida, atravessando várias mídias.
Para cada mesa, pensamos em nem só teóricos, nem só cineastas, nem só artistas, pensamos em fazer uma mistura desses vários campos para apresentar esse panorama e com pontos de vistas diferentes, porque eu acho que é muito chato você vir no seminário só com professor, teórico, professor ou cineasta. O interessante é essa tensão, esse confronto.
CF: Como você avalia a realização dessas mesas num espaço como o Cine Futuro, pensado para ser um espaço de debate e discussão, além da exibição de filmes?
IB: Eu acho extraordinário, porque completa o ambiente formativo. Porque eu vejo o Cine Futuro como um todo como uma proposta de formação, formação de público, formação de plateia,formação de gosto. Isso traz uma opção à Salvador para você descobrir que existe um outro cinema, que existe uma reflexão sobre qualquer assunto que pode começar no cinema. Não digo que ela vai acabar no cinema, mas pode começar por ele. Aqui pode ser o ponto de partida.
Como vimos esses dias com o Peter Joseph discutindo temas como globalização, a partir de um filme que foi lançado na internet , você detona um movimento de pensamento. Mesmo que as pessoas não sejam adeptas e possam ter algum ponto de vista crítico ao próprio Movimento Zeitgeist, é incrível o poder do cinema hoje, ainda de mobilizar garotos tão jovens. Achei fascinante estarem ao lado de uma reflexão clássica.
CF: E como você avalia a participação do público jovem que vem ao Cine Futuro debater os temas propostos pelas mesas?
IB: Maravilhoso. Os franceses se surpreenderam com o repertório e conhecimento das vanguardas históricas do público. Eu acho que isso já é um efeito do próprio Cine Futuro, eu acho que são pessoas que estão vindo e já dominam esse reprertório. Muito bom também o nível das perguntas e de participação. Mesmo quando o público não é tão grande, não faltam perguntas para fomentar a discussão. Isso também é muito bom pra quem vem de fora, pra quem vem discutir. É uma plateia muito qualificada.
No Blog
- 01/08/2011 - Sua participação certificada!
- 30/07/2011 - "Haruo Ohara" e "Olho de Boi" são eleitos os melhores curtas do Cine Futuro
- 30/07/2011 - Quem vencerá a competitiva?







